03/06/2007

David

Alguém já ouvir falar de uma banca de camelô que é dividida em setores como Mezzanino Diet, Mezzanino Engordiet, Setor de Refrigerantes, Sobreloja e que tem até um serviço de Call Center e Departamento de Concessão de Crédito para seus clientes? E que tal uma banca de camelô que já tenha sido assunto de matérias para veículos como as revistas Meio & Mensagem, Exame, emissoras de tv, jornais como O Globo, Gazeta Mercantil entre outros, incluindo a agência Reuters, que fez uma reportagem sobre ela e que passou na CNN e em outros canais dos Estados Unidos e Japão?

Será que existe uma barraca de camelô que já tenha conseguido fechar parcerias com empresas do porte de uma United Airlines, Banco Real e Embratel, tornando-se assim, patrocinadoras dessa barraca? E um camelô que tenha website, alguém já viu? Isso tudo é verdade e só foi possível graças a um verdadeiro exemplo de vida e de marketing que é David de Mendonça Portes – The Camelot e sua Banca do David. Que já até ganhou elogio de ninguém menos que Philip Kotler, um dos “pais do marketing”. A história desse homem é digna de um bom e velho “Era uma vez...”




Infância humilde
David nasceu em 15 de dezembro de 1956 na pequena e pobre cidade de Santo Eduardo, município de Campos, interior do estado do Rio de Janeiro. Como não existia cartório lá, seu pai, Albano Moreira Portes, teve que andar alguns quilômetros, atravessar um rio e finalmente pegar um transporte para chegar até Bom Jesus de Itabapoana, cidade vizinha, para poder registrar seu quarto filho de um total de oito. Três mulheres e cinco homens: Marinete, João Batista, Manoel Carlos, David e Antônio nasceram na singela Santo Eduardo, enquanto Marilene, Mario e Marilza nasceram depois, já quando a família foi morar em Nilópolis, subúrbio do Rio de janeiro.

A infância de David, na pacata Santo Eduardo, era principalmente na roça cortando cana com seus pais e irmãos. Todos viviam numa casa feita de estuque (espécie de argamassa feita com gesso e areia) com dois cômodos de terra batida onde vivia toda a numerosa família. Foi então que, movido pela esperança de melhorar a vida da família, Albano Portes resolve ir para o Rio de janeiro arrumar um emprego como fazem tantas pessoas que vão para as cidades grandes em busca de uma vida melhor. Todavia, depois de três anos esperando a sonhada concretização do plano do pai de David, que era juntar um dinheiro para levar toda a família para morar com ele, sua mãe cansou de esperar. Pegou uma mala de madeira e colocou lá tudo o que dava para colocar nela, pegou os filhos e seguiu em direção ao endereço que constava nas cartas que Albano utilizava para mandar dinheiro para sua família. Era o início de uma nova fase para David e seus familiares.


Vendendo laranjas e tangerinas com o irmão João Batista. O início de tudo.

Morando em Nilópolis, subúrbio do Rio de janeiro, os Portes moraram por dois anos na casa de Moisés, irmão de Albano. Todos dormiam em esteiras de palha que ficavam no chão. Durante a semana David (que tinha 12 anos nessa época) vendia amendoins nos trens, mas era nos fins de semana, vendendo laranjas e tangerinas (mexerica como é conhecida em alguns estados) com o irmão João Batista pelos campos de futebol de várzea, que ele aprendia e se divertia ao mesmo tempo. A simpatia e carisma de seu irmão mais velho cativavam as pessoas e com isso ele conseguia fidelizar seus clientes que muitas vezes esperavam, depois do termino das partidas, a dupla de vendedores chegarem para comprar suas laranjas e tangerinas.

Depois de um tempo, João conseguiu um emprego de caixa num armazém antigo que tinha como dono um português. Graças a seu talento nato de vendedor o irmão de David fazia o faturamento do simples estabelecimento aumentar cada vez mais, e enquanto isso graças aos ensinamentos de seu chefe, aprendia conceitos e nomes como capital de giro, estoque, margem de lucro entre outras coisas importantes. João, por sua vez, ensinava a David todas essas coisas. Seu sucesso atual se deve principalmente a essa fase de sua vida e ao seu irmão mais velho João Batista. Os dois sempre tiveram uma ligação especial que superou inclusive a trágica morte dele, que ocorreu por conta de um assalto justamente no humilde armazém responsável por todo esse progresso na vida dos irmãos.


O fundo do poço
Já com 18 anos, David encontrou a mulher que seria sua futura esposa e mãe de seu filho Thiago. Depois de trabalhar em vários lugares acabou ficando desempregado as vésperas de seu casamento. Depois de um tempo, Maria de Fátima fica grávida e eles foram morar em um barraco na favela da rocinha que não tinha banheiro. Suas necessidades fisiológicas eram feitas em latas de 20 litros onde na época se vendia banha de porco. Apesar de ficar todo santo dia procurando emprego por toda cidade, David não conseguia de jeito nenhum. Sem trabalho e dinheiro para o aluguel acabam despejados e vão morar na rua, embaixo da marquise de um prédio da avenida presidente Antonio Wilson, no centro da cidade.

Maria de Fátima havia sentido dores durante toda a sua gravidez, contudo, em um determinado dia, sentiu dores ainda piores. David não sabia o que fazer, pois não tinha nenhum recurso naquele momento, mas precisava salvar a esposa e seu filho. Comovido com o sofrimento de Maria de Fátima, o porteiro de um prédio que ficava na mesma calçada onde o sofrido casal estava morando resolveu emprestar uma quantia, que hoje equivale a 12 reais, para David comprar o remédio que sua esposa precisava. Esses 12 reais não serviriam apenas para acabar com as dores de Maria, mas se transformariam na semente que mudaria para sempre a vida dos dois e de seu filho que estava prestes a nascer.

Continua...

3 comentários:

Anônimo disse...

csde o final da historia?

Malucom disse...

O final da história é no meu próximo post, domingo que vem.

Leo disse...

olá, eu sou e ainda vivo em Santo Eduardo, mas não sabia que este Sr. era daqui. Já tinha ouvido falar dele como sendo de Campos, mas não expecificamente do Distrito de Santo Eduardo.
Gostaria de convidá-lo pra nos visitar e quem sabe contribuir de alguma forma, já que hoje ele é um vencedor, para nossa comunidade.
Lenilson Werneck Barreto